Foi o reconhecimento de mim mesma e uma incrível sensação de deslumbramento. Realmente era eu quem estava na multidão. E lá estava eu novamente.
Não mais me reconhecia apenas na vibração dos sentimentos que perpassavam corpo e mente e na comunicação entre os meus olhos que estavam em dois corpos diferentes. Eu me reconhecia na voz, no timbre, nas mãos, nos poemas e na vontade de voar.
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O som das bandas de rock era estridente, mas o silêncio que reinava em mim era profundo.
Havia dito várias vezes naquele mesmo dia que me sentia uma estrangeira no mundo em que nasci. E agora estava perdida no labirinto daquelas vozes que nada diziam, nada significavam.
Na tentativa vã de me entender, eu me olhei. Eu estava na minha frente e não parava de me olhar. Eu estava em dois corpos. O outro eu era um imã e eu o reconheci.
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Ele me esperou. Eu cheguei. E não mais nos separamos. Mas, se o conceito de separação é relativo, talvez estivéssemos juntos desde antes de nascermos.
Ele é uma parte minha, mas que de tão diferente de mim, me faz crer que somos almas complementares. Ele é quem faz brandas as minhas agonias mais loucas.
Ele é a paz nas minhas sucessivas tormentas. Mas somos forças complementares, somos Yin Yang.
Queremos paz e desejamos que a luz da alma humana volte a interagir com a força da natureza de forma plena. Apenas temos meios diferentes de desejar.
Porque ele silencia quando eu grito. Ele respira quando eu sufoco. E ele só sente o vento bater, enquanto eu ardo na minha revolução.
Nossos caminhos partem e retornam, se aproximam e se distanciam em perfeito equilíbrio. Em todas as minhas partidas, mesmo nos mais profundos mergulhos em oceanos longínquos, e até naquela viagem que alguns crêem sem retorno, ele estará comigo. Porque ele está no meu espírito, ou porque ele é o menino dos meus olhos.
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