Lilly Farias


Foram dias frios e eu estava longe de casa. Aquela cidade era cinza, nublada e chuvosa. Aquela cidade era um poema desconhecido, cheio de encanto.
Quando eu lembro daqueles dias, eu lembro da tua mão. Andamos de mãos dadas por becos, ruas, lojas antigas... e parávamos pra tomar café, conversar sobre o tempo, sobre a vida e sobre o futuro.
Me apaixonei pela cidade mais do que por você. Essa é a triste verdade. Aprendi a amar o cinza, o chuvoso e, sobretudo, o café.
Lilly Farias
Aqui estou eu, na beira do pantanal. Acordo e vejo uma serra coberta por árvores retorcidas. Retorcido destino! Eu sou o cerrado.
Sem rumo, vou caminhando pelas estradas de pó. A estrada poeirenta da minha jornada me envelheceu.
Vina, grande poeta, sinto sua falta!
Lilly Farias
Acordo entre os acordes de uma música que vem de longe. Onde estou? Quem eu sou? Qual a razão disso tudo?
Minha alma atordoada passeia entre o bem e o mal.
O meu sorriso de menina que não sabe o que virá no futuro esconde medos perdidos em um espírito solitário.
Eu queria pedir pra você ficar. "Não, por favor, não vá embora." Mas há regras dizendo como não agir, como não falar e como não pensar.
Eu queria que você ficasse, me colocasse no colo e dormisse ao meu lado. Eu queria dizer no teu ouvido o que a minha razão insiste em calar. É só você quem pode ocupar esse lugar ao meu lado, na minha vida, no meu ouvido e na minha cama. Eu parafrasearia o Djavan e diria que os "teus sinais me confundem da cabeça aos pés", e o meu desejo segue te devorando dia e noite.